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A solidão dos executivos

À pergunta, “Afinal o que é que lhe tira o sono?”, tenho encontrado as mais diversas das respostas, às vezes até o silêncio, porque os líderes começam por ter medo, de ter medo!

 

Liderar é por vezes ser solitário, o que não quer dizer ser sozinho, é estar na frente, à frente de quem os segue, é ter a visão orientadora e o propósito, é conseguir ver o fim do que se inicia, é viver tanto o processo, como o destino, é caminhar em duas estradas ao mesmo tempo, a do curto e a do médio e longo prazo, ser tático e estratega, racional e emocional e tudo isso, ao mesmo tempo. Num tempo onde tudo está ligado a tudo e onde o digital e as redes nos ajudam a estarmos cada vez mais conectados, porquê esta solidão?

Há momentos em que se está só. Em que a conversa é com cada um, fica muito difícil partilhar. Há sentimentos sobre as situações que não se podem compartilhar. Há informações sobre estruturas e planos de que não se pode falar. Há momentos de desalinhamento, ou de confidencialidade absoluta. Haverá momentos em que estão negadas as coisas de que se gosta.

O líder é um tradutor da estratégia. Interpreta, filtra e escolhe as suas palavras para conduzir os outros. A solidão ocasional é inerente à liderança, especialmente à medida que a influência dos líderes cresce. O importante é reconhecer e ter uma dinâmica para conseguir um equilíbrio ajustado às suas preferências de funcionamento e ser autêntico.

Um recente estudo da Harvard Business Review mostrou que 50% dos CEOs americanos experimentam a solidão e mais de 60% acreditam que sentimentos de solidão afectam negativamente o seu desempenho. É surpreendente como presidentes, CEOs e líderes empresariais, tão rodeados por tantas pessoas, muitas vezes lutem com a solidão.

Algumas estratégias para mitigar os efeitos negativos da solidão dos Executivos:

Reconhecer. As pessoas que estão no topo muitas vezes negam que se sentem solitárias. Ou porque sentem que não têm o direito de se sentir sozinhas, ou porque admitir pode ser visto como um sinal de fraqueza. Mas ignorar e negar sentimentos de solidão só piora a situação. Reconhecer permite agir!

Ligar-se a um grupo de líderes pares. Participar num grupo de pares pode reduzir o isolamento que o líder sente. Escutar as experiências de pares desenvolve a oportunidade de compartilhar suas próprias experiências.

Participar num Mastermind empresarial, fazer Networking. A conexão com outros profissionais fora da sua organização deve ser uma prioridade. Uma das chaves está em se relacionar com fóruns que trazem novas visões e perspectivas e desenvolvem sentimento de rede de apoio. Permite também desenvolver amizades pessoais.

Procurar conselheiros pessoais. Podem ser colegas de confiança, amigos de infância, hierarquias passadas, mentores ​​ou até mesmo alguns dos membros da empresa. A parte importante é poder estar sem a “máscara da liderança” e haver caminho livre para confiar!

Procurar um Coach ou Counsellor. Há uma boa correlação entre bons desempenhos de liderança e a existência de uma relação com um Coach ou Counsellor profissional, que actua como verdadeiro suporte. Escutam activamente e ajudam os líderes a ouvir as suas próprias preocupações, a identificar objectivos e a estabelecer o melhor caminho a seguir. Melhoram tanto o seu desempenho profissional como pessoal.

Manter em equilíbrio a energia dos diferentes papéis. Finalmente, convém não negar o que se é para além do papel de executivo, na família, com os amigos, na comunidade e consigo mesmo, dando expressão aos outros mundos que habitam em si, ao encanto do chamado “lado B” que afinal fará do líder uma pessoa mais rica, a viajar acompanhada e com mais mundo!

 

“If you want to go fast, go alone. If you want to go far, go together.”
Provérbio africano

 

Fonte: HR Portugal